O Funcionamento da Mente Humana

23 janeiro 2017 0 comentrios Eliziane

Segundo  DIEGO ANDREASI

Como a mente humana toma decisões? E como podemos melhorar nossa maneira de tomá-las?

Com o passar dos anos e o avanço da tecnologia, finalmente podemos olhar dentro do cérebro e ver como os humanos pensam: a caixa preta foi escancarada. Em O momento decisivo: o funcionamento da mente humana no instante da escolha, o neurocientista americano Jonah Lehrer nos explica que não fomos projetados para sermos criaturas racionais e que nossas emoções orientam os padrões de nossas atividades mentais, ou seja, nossas tomadas de decisão.

Para facilitar sua difícil missão que envolve termos complexos como córtex pré-frontal, ínsulas, lóbulo e NAccs, Lehrer faz uma analogia com uma passagem do filósofo Platão, onde o mesmo gostava de imaginar a mente como uma carroça puxada por dois cavalos. O cérebro racional, dizia, é o cocheiro – segura as rédeas e decida para onde os cavalos correrão. Caso os cavalos se descontrolem, o cocheiro precisa apenas pegar o chicote e reafirmar sua autoridade.

Um dos cavalos é bem comportado, mas mesmo os melhores cocheiros têm dificuldade em controlar o outro cavalo, no qual Platão não poupou características agressivas. Para o filósofo, o segundo cavalo representa as emoções negativas e destrutivas, e não se submete à combinação de chicotadas. Dessa forma, o trabalho do cocheiro é impedir que o cavalo negro corra livremente e manter os dois cavalos seguindo em frente.

Lehrer afirma que, segundo a teoria de Platão, no qual acreditamos por muito tempo, a razão predomina sobre a emoção. Porém, o autor afirma que essa teoria clássica possui um erro crucial. Segundo o neurocientista, os cavalos e o cocheiro são interdependentes, ou seja, um depende do outro para existir, e se não fosse pelas emoções, a razão nem mesmo existiria. Essa questão, por sinal, é o enredo que conduz todo o livro.

Ele conclui essa passagem inicial dizendo que o processo de pensamento exige sentimento, pois são os sentimentos que nos permitem assimilar toda a informação que não podemos compreender diretamente. Por fim, a razão é impotente sem a emoção.

 

Como seria viver uma vida sem sentimentos?

Lehrer ainda alerta sobre os perigos de pessoas que sofrem com a perda da parte emocional do cérebro, como os autistas, que possuem dificuldades em reconhecer os sentimentos dos outros, e os psicopatas, que reconhecem as emoções alheias, no entanto, não reagem a elas.

Para ambos os casos, o sentimento altruísta, ou seja, o comportamento que nos faz agir de forma a beneficiar outras pessoas, é inexistente. Para os que não possuem tal lesão, aqui vai uma dica, para despertar o sentimento altruísta em outras pessoas, basta com que você faça que elas sintam o sentimento dos outros.

Pesquisas apresentadas no livro mostraram que, quando os participantes do estudo imaginavam com intensidade os sentimentos dos outros, estes desejavam fazer com que essas pessoas se sentissem melhor, mesmo que para isso elas tivessem que se sacrificar.

Quando você age moralmente – quando evita a violência, é justo com as pessoas e ajuda estranhos que estejam passando necessidade, está tomando decisões que levam em consideração outras pessoas além de si próprio. Você está pensando no sentimento dos outros, simpatizando com o estado mental das pessoas, é isso que os psicopatas não conseguem fazer.

Os psicopatas são perigosos porque possuem cérebros emocionais danificados. Portanto, tal vazio emocional que você acha que possui, é na verdade uma patologia rara, típico dos psicopatas. Os psicopatas cometem crimes violentos porque sofrem CARÊNCIA DE EMOÇÕES, ou seja, suas emoções nunca dizem a eles para não cometê-los.

Conclusão

Durante tempo demais presumimos que o propósito da razão fosse eliminar as emoções que nos desencaminham. Aspiramos atingir o modelo platônico de racionalidade, no qual o cocheiro tem controle total. Mas sabemos agora que silenciar as emoções humanas não é possível, pelo menos não diretamente.

Todos os adolescentes querem sexo e todas as crianças de 4 anos querem marshmallows. Todo bombeiro que vê uma muralha de chamas quer fugir correndo. As emoções humanas são embutidas no cérebro em um nível muito básico. Elas tentem a ignorar instruções. Ou seja, silenciar as emoções é praticamente impossível, é preciso controlá-las.

As pessoas mais racionais não percebem menos as emoções, simplesmente as regulam melhor. E como regulamos nossas emoções, simples, pensando a respeito delas. Todos podem ficar com raiva, é muito fácil,mas ficar com raiva da pessoa certa, na intensidade apropriada, na hora certa, pelo motivo certo e do jeito correto, isso não é nada fácil.

O cérebro sempre aprende, do mesmo jeito, acumulando conhecimento por meio de erros. Não existem atalhos para esse processo árduo: tornar-se um especialista simplesmente requer tempo e prática.

Texto de Diego Andreasi.

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